Conheça Gabi Luduvice – Jovem missionária

Olá, JPN’s! Estamos de volta!

Hoje trazemos um entrevista inspiradora, com uma jovem missionária. Gabriela Luduvice de Sá mora em Aracajú e foi ao Nepal juntamente com o Pr. Lucinho Barreto. Vamos conhecer um pouco da história de Gabi e de como tudo aconteceu para que ela pudesse estar na nação que o Senhor colocou em seu coração.

Gabi Ludu em construção da casa de uma das famílias que perderam tudo e congregavam na igreja que ela ficou hospedada

Gabi Ludu em construção da casa de uma das famílias que perderam tudo e congregavam na igreja que ela ficou hospedada

JPN – Gabi, como uma jovem que já veio para o JPN antes de ir para uma nação, como foi para você estar aqui com expectativas para um dia pisar numa nação?

Gabi Ludu – Eu creio que esse seja o sentimento de muitos que vão para o JPN, eu sempre amei missões, tenho o coração voltado para isso, porém, nunca havia tido clareza a respeito de uma nação específica, desde sempre aprendi a desfrutar do tempo presente, ser excelente e frutificar no lugar onde estivesse.

Eu disse isso no Nepal e repito agora: cada ministro que passou por aí, cada palavra, cada decisão de obediência para estar no JPN em todos os anos que eu fui fizeram com que o meu bom depósito estivesse bem abastecido para um tempo como esse. Em cada situação que exigia de nós um comportamento mais específico, eu lembrava de tudo que havia aprendido no JPN e com a nossa secretaria de missões, de fato, o tempo de preparação não é tempo perdido. Eu estive sentada aí me abastecendo e gerando expectativas para um tempo no qual eu, de início, nem sabia para onde iria, eu só fui fiel em tudo que coloquei as mãos e cri que se cumpriria, aprendendo e servindo.

Na maioria das vezes queremos ter domínio da situação, saber para onde vamos, o que vamos fazer quando, na verdade, a convicção de que vamos mesmo sem ver e sem saber de tudo é a fé, e quem tem fé descansa e esse descanso faz com que desfrutemos do agora, e a fidelidade no agora nos leva aos lugares certos, no tempo certo, com as  pessoas certas, para viver o melhor e os milagres de Deus, independente das circunstâncias.

As mulheres no Nepal carregam esses pesos subindo e descendo ladeiras

As mulheres no Nepal carregam esses pesos subindo e descendo ladeiras

JPN – Depois dessa experiência de estar no JPN e ter a oportunidade de ir para o Nepal com o Pastor Lucinho, como foi para você estar pisando em algo que você já havia possuído antes?

Gabi Ludu – A experiência do Nepal é bastante curiosa, desde o começo, quando o terremoto aconteceu, eu orava por eles, mas o meu sentimento era: “eu oro, mas parece que preciso estar lá para fazer algo de forma palpável” não invalidando a oração com isso, mas sei que nesse tempo o Senhor já estava colocando no meu coração as sementinhas do que viria um ano depois. Nesse meio tempo acompanhei as notícias e os pedidos de oração de uma missionária que estava lá.

Passado o terremoto e entrando naquele período em que todos acabam esquecendo, eu continuava declarando que pisaria em uma nação com um contexto extremo onde o evangelho não pode ser pregado com tanta liberdade – coisa de missionário mesmo e que só o Senhor pode colocar em nosso coração – risos.

Foi quando a missionária que contava com as nossas orações esteve em Aracaju e foi contar um pouco do seu testemunho para nós da secretaria, no final ela disse algo mais ou menos assim: “Que as portas estavam abertas para irmos” eu dei um pulo da cadeira e disse: eu vou! Ideias foram surgindo, o desejo que eu tinha quando orava voltou dez vezes maior, e eu comecei a orar para ver quem poderia somar no processo de angariar fundos para pisar no Nepal, foi quando me somei a Dayanne e Jéssica (meninas que também iam para o JPN e tem uma chama missionária no coração).

Jéssica se somou de maneira bem informal e rápida, em uma única conversa, e Day quando eu convidei um mês depois ao final de um culto, ela começou a chorar na porta da igreja. Tendo o sim de Deus e a disponibilidade do nosso coração em ir, era a hora de conseguir o dinheiro. O único detalhe era, Jéssica poderia arcar com os custos dela, mas eu e Day não tínhamos nada, na verdade eu tinha R$0,60 centavos na conta kkkk. Começamos a nos reunir para orar, saber como iríamos, com quem ficaríamos, e Pr. Lucinho não era nem uma opção para nós, passou a ser bem depois, quando decidimos ir com ele faltava um mês e a viagem custava uns R$11.000,00, mas já tínhamos o sim de Deus, sentíamos paz e tínhamos a aprovação dos nossos líderes.

Em uma das nossas reuniões de oração, além da rifa que estávamos vendendo nas ruas de Aracaju, o Senhor nos deu a estratégia de fazer parceiros que nos abençoassem com R$100,00 que poderiam ser parcelados, contamos quantos parceiros precisaríamos para custear o máximo possível e deu super certo. Além disso, fazíamos pedágio nas ruas quase todas as manhãs.

Um dos maiores milagres nesse processo era que na sexta-feira véspera de feriado da semana santa precisávamos depositar uma média de R$3.500,00, e nós só tínhamos uns R$200,00, ligamos para eles e nos responsabilizamos em depositar na quarta-feira à tarde que era quando terminava o feriado, nesse dia fomos para a vigília dos jovens e eu lembro de ter dito algo a Deus: “Pai, não é pelo dinheiro, porque sei que o Senhor é dono do ouro e da prata e esse dinheiro pode aparecer no meu bolso, mas é por nossa palavra e compromisso como crentes e a convicção de que foi o Senhor que colocou isso no nosso coração”. Nesse dia recebemos R$1500,00 de uma só pessoa e o restante conseguimos fazendo pedágio. Ao término do pedágio CHEIAS de moedas quando nos sentamos para contar, bateu a quantia EXATA e mais os R$0,60 centavos, e na hora o Senhor me disse: “Eu te dou o que você tinha e muito mais!”

Diante disso tudo, essa mesma pergunta de como era estar no Nepal me foi feita pelo Pr. Lucinho e eu digo que seria o mesmo que tentar descrever quem Deus é em poucas palavras, porque Ele é muito mais do que o nosso vocabulário pode caracterizar e todas as vezes que paro pra pensar, eu fico sem palavras, porque não consigo dimensionar o poder, a bondade, o favor e TUDO que foi depositado em mim antes de ir. Ele preparou tudo tão bonitinho, depositou riquezas durante esses anos de JPN dentro de mim, e pisar no Nepal? É um pouco do que o meus olhos não viram e os meus ouvidos não ouviram, nem jamais teria penetrado no meu coração algo assim, mas já estava preparado, foi necessário crer e agir de acordo. Deus é indescritível!

Gabi Ludu na construção da casa de uma das famílias que perderam tudo e congregavam na igreja que ela ficou hospedada

Gabi Ludu na construção da casa de uma das famílias que perderam tudo e congregavam na igreja que ela ficou hospedada

JPN – Qual experiência foi mais marcante para você no JPN?

Gabi Ludu – Eu não lembro o ano, mas foram duas ministrações, uma do Pr. João Roberto ano passado pela manhã e a outra de Shirla, essa que não lembro o ano, mas não esqueço dela, ela ecoa em mim até hoje, nossa! Outra foi que em um dos cultos o Senhor me mostrava um cachorro daqueles grandes que segurava um osso e não largava de maneira nenhuma e claramente Ele me falava: “Essa deve ser você com a minha Palavra e tudo que venho depositado dentro de você!”.

Foram experiências extremamente íntimas e profundas para mim, duas ministrações que me rasgaram por dentro e uma visão que é clara para mim desde então.

Eles sempre cozinhavam para a equipe de missionários e na foto vemos como as comidas eram preparadas

Eles sempre cozinhavam para a equipe de missionários e na foto vemos como as comidas eram preparadas

JPN – Quem era Gabi antes do Nepal e Gabi depois do Nepal?

Gabi Ludu – Nossa! Essa é difícil, porque o mais claro que posso dar como resposta é que o Nepal me colocou do avesso, todo crente deveria ter uma experiência dessa.

O Nepal me ensinou a ser menos religiosa e romper padrões para que o amor prevaleça. É uma realidade TOTALMENTE e EXTREMAMENTE diferente, mas, incrivelmente, o AMOR de Deus (queria que vocês pudessem sentir o poder que essa descrição carrega) é uma linguagem universal que TODOS estão com GRANDE expectativa para receber.

Achamos que vamos fazer grandes cruzadas, ser conhecidos, mas um trabalho como esse se dá nos bastidores, amando, respeitando a cultura, plantando sementinhas que as vezes nem veremos brotar mas a convicção da vontade de Deus nos deixará plenos e alegres por cada pé lavado, por cada abraço, por cada rompimento cultural para estar mais perto e ter abertura para que com as nossas atitudes eles possam conhecer o caráter do Deus a quem servimos, porque é nessas horas que vemos que as nossas melhores pregações não servem de nada se não soubermos amar e amar nesse caso é abrir mão de quem somos, viver Cristo e deixar que eles queiram o que temos.

A parceira de Gabi Ludu, Day, orando pelos cristãos

A parceira de Gabi Ludu, Day, orando pelos cristãos

JPN – O que mais te marcou naquela Nação?

Gabi Ludu – O Nepal me marcou em tudo e não quero dar uma resposta clichê, mas tivemos dois momentos:

O primeiro, que fomos para a vila, onde os cristãos que ajudaríamos estavam, e o que pude ver foi como nós temos muito e ainda assim conseguimos reclamar, e como eles não têm quase nada, mas encaram as dificuldades de maneira tão forte.

Eles comem pouco, dormem no chão, nas casas não tem quase nada, banho toma-se pouco, as mulheres carregam muito peso nas costas subindo e descendo ladeiras, são envergadas e bem sujas, mas eles demonstram gratidão facilmente, isso foi incrível para mim.

Fiquei na parte da construção de uma das casas que foram destruídas, e a família para a qual estávamos construindo teve a oportunidade de preparar um almoço para nós em dois dos dias que passamos lá, e para nós foi muito desafiador ver como a comida era feita, e ter que comer tudo com um sorriso no rosto, mas me marcou porque o que eles nos deram era o melhor que eles tinham, e era a melhor forma que eles podiam nos receber.

As meninas ficaram na parte social, fizeram massagens e lavaram os pés com lenços umedecidos – o pé para eles é algo impuro, de início elas não nos deixaram tocar -, brincaram com as crianças, foram de casa em casa e eles buscavam formas de nos agradecer, faziam penteados, davam bijuterias, etc. A forma de demonstrar gratidão me impactou.

Outro momento foi o único dia de turismo que tivemos para conhecer o Nepal e eu não sei se defino como dia de turismo ou o dia em que vimos o que o coração de Deus sente a respeito das nações e dos povos que ainda estão longe Dele. Um dos lugares que fomos foi no templo onde eles fazem os rituais das pessoas que morrem, presenciamos um processo de purificação e queima dos corpos. O rio onde eles jogam as cinzas é o mesmo que as pessoas tomam banho. Conhecemos os sadus (homens santos) que se banham nesse rio e pintam os corpos com as cinzas dos mortos, eles dormem numa espécie de gaiola bem pequena, presos com cadeado e dentro com a imagem de deuses, quando coloquei a cabeça dentro de uma delas a impressão que veio no meu espírito é que o diabo dava gargalhadas.

Na nossa saída o guia que nos acompanhou nos questionou porque não compramos o que eles vendiam e respondemos que não compraríamos porque éramos cristãos, e ele disse: eu queria ser cristão, mas nasci aqui, então sou hindu, e vocês que nascem no Brasil são cristãos. Explicamos que não era assim, e ele nos perguntou: O que devo fazer para ser cristão? Nesse momento chamamos o missionário, porque precisávamos ter cautela no proceder, pois ele poderia alegar que estávamos induzindo a algo, o missionário trocou contato com ele para que ele encontrasse o Pastor e pudesse conhecer mais da Palavra.

Ou seja, a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus, como diz Romanos 8.19. O dia acabou e estávamos clamando por aquela nação, chorando e sentindo dores por ver como eles vivem enganados e o que esse engano acarreta.

Um pouco de como as comidas eram preparadas

Um pouco de como as comidas eram preparadas

JPN – Qual conselho você pode dar para os jovens missionários que sonham em ir a nação que está em seu coração?

Gabi Ludu – Nações começa na sua igreja local, eu não fiz NADA no Nepal que eu não tivesse feito aqui, na verdade nem conseguiríamos. Não é na nação que está no seu coração que você fará a diferença e grandes coisas, é aqui, é onde você está agora, seja um referencial, irrepreensível e não perfeito, invista tempo com o Senhor porque só isso te dará as direções para o tempo e o modo correto.

Se o Senhor disse que é, não saia nem para um trem passar. Obras sem fé são mortas, mas o contrário é real também, não se limite ou tenha vergonha, rompa seus limites, pois limite em campo missionário é uma coisa que certamente precisa ser treinado desde já.

Não se lamente pela falta de nada, Deus quer nos surpreender e nos capacitar para toda a boa obra a qual Ele nos separou. Além do seu sim de boca, Ele precisa do seu sim de coração, disposto a crer, mesmo que só exista R$0,60 centavos ou nada. Na caminhada com Deus nós nunca sabemos de tudo, esteja disposto a dar, mas também a receber, sendo tardio ao falar e paciente e ensinável para ouvir. Existem riquezas em pessoas diferentes de nós, em outras nações. Não se trata de denominações, mas de amor e intimidade com o Senhor. Não fique ansioso, permita que o seu caráter seja forjado para que os seus passos sejam firmes.

Por fim, sou grata a Deus pela obediência e disponibilidade de cada um que faz o JPN ser o que é, vocês, desde a cozinha aos ministros, foram para o Nepal conosco, sintam-se parte disso. Tempo de preparação não é tempo perdido. E como foi precioso o tempo que passei aí enchendo a minha mais importante bagagem para as nações. Nações é um sonho possível e real. Obrigada JPN!

Construção da casa de uma das famílias que perderam tudo e congregavam na igreja que o grupo ficou hospedado

Construção da casa de uma das famílias que perderam tudo e congregavam na igreja que o grupo ficou hospedado

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